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Bancos estão enriquecendo às custas do contribuinte

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O Commerzbank é um desses bancos que não consegue mais competir na maioria dos setores. De certa forma, isso foi intencional. Depois de adquirir o Dresdner Bank no início do ano, o banco está reduzindo sistematicamente os seus riscos. Mas o Commerzbank, o segundo maior banco da Alemanha, também está perdendo um número cada vez maior daqueles especialistas dos quais necessita para os aspectos mais lucrativos do seu negócio. „Quem não pagar mais de 500 mil euros (R$ 1,3 milhão) terá dificuldade para manter a competitividade no setor de bancos de investimento“, afirma Tim Zühlke, um dos sócios da Indigo Headhunters. Ele está se referindo ao teto para o pagamento de compensações extras aos executivos que o governo federal impôs ao Commerzbank.

Em diversos casos, os salários estão novamente aumentando com rapidez. Até mesmo o combalido Citigroup pretende elevar os seus salários em 50% neste ano para compensar os baixos bônus, apesar do fato de o governo dos Estados Unidos ter disponibilizado fundos de bailout na casa dos bilhões de dólares para o banco.

Outros bancos, incluindo o UBS e o Morgan Stanley, também estão concedendo as seus funcionários generosos aumentos salariais, que às vezes variam de 30% a 60%.

Segundo uma estimativa da firma de consultoria Johnson Associates, acredita-se que os salários no setor bancário aumentaram em média de 20% a 30% neste ano. Os banqueiros do Goldman podem esperar ganhar em média US$ 770 mil (R$ 1,4 milhão) neste ano, a menos que algo de inesperado aconteça – a maior compensação média anual na história do banco.

Há apenas alguns meses, os presidentes das instituições financeiras de Wall Street sentavam-se com expressão culpada nas audiências no congresso dos Estados Unidos, absorvendo silenciosamente a fúria dos políticos.

Mas agora os banqueiros, após recuperarem a auto-confiança, estão fazendo uma campanha metódica contra os planos do governo no sentido de impor mais regulamentações ao setor.

Nas audiências mais recentes, representantes do setor enalteceram em voz alta as intenções da Casa Branca. „A mudança é necessária“, disse um membro da Associação Norte-Americana de Bancos. „A CBA apoia as metas de transparência, simplicidade, justiça e responsabilidade“, afirmou o representante da Consumer Bankers Association (CBA), a maior instituição de banqueiros dos Estados Unidos.

Entretanto, os profissionais de Wall Street não gostam nem um pouco das medidas específicas do governo. Eles não estão preparados para tolerar sequer regulamentações mais rígidas dos CDS, que foram em parte os responsáveis pelos problemas maciços nos mercados financeiros. Juntamente com sócios, o JP Morgan e o Goldman Saches formaram um grupo de lobby, o Consórcio de Negociantes de CDS, especificamente para impedir intervenções decisivas do governo.

É improvável que a imagem dos banqueiros de Wall Street mude tão cedo de gananciosos para responsáveis, mesmo que o retorno dos velhos hábitos seja perturbador para certos indivíduos da área.

„Alguns anos atrás, os bancos de investimento enriqueceram com o dinheiro dos clientes“, diz um ex-figurão da indústria. „Quando os recursos ficam muito reduzidos, eles voltam-se para o dinheiro dos acionistas. Mas agora eles tiveram acesso ao maior cofre que o mundo tem a oferecer: aquele com o dinheiro do contribuinte“.

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